
Por que existe essa brincadeira? PRA QUÊ, meu Deus, pra quê?!
Como se já não bastasse a chatice de ter que arrumar árvore de natal e rever parentes que não víamos há 300 anos atrás, sempre tem aquele pessoal – amigos, familiares, colegas de trabalho… – que têm a brilhante idéia de fazer Amigo Secreto, ou oculto, tanto faz, é tudo a mesma merda.
Aí você bota lá seu nome, o povo coloca o deles também, todo mundo sorteia, cada qual pega o seu, e só alegria… ôô diabo…
Aí limitam o valor do presente, de “tanto até tanto”. Claro, eu sempre ganho chaveiros de 1,99 ou aquelas cartinhas que tocam uma musiquinha irritante quando abrimos.
Esse ano não participei de nenhum Amigo Secreto, ainda estou me recuperando da vergonha do ano passado.
Ano passado, uma semana antes do natal, um grupo de amigos, que não via já fazia um bom tempo, me chamou para participar de uma pequena confraternização com eles. Como eram amigos de longa data, mesmo sabendo que iria rever e ouvir as mesmas coisas e piadas sem graça, tipo “poxa, você está menor a cada dia que passa!”, ou “não é querendo ser chato, nem intrometido na sua vida, mas porque foi mesmo que você terminou com aquele seu namorado HORRÍVEL em 19…?“. Pior, relembrar histórias bizarras da infância com amigos novos;
- Fala, Caio!
- Iai man, de boa?
- Tudo tranquilo.
- Essa aqui é uma amiga que eu trouxe comigo, Nanda, conheci ano passado, num passeio que eu fiz.
- Tudo bom, Nanda? Sou Marcos, prazer, amigo de Caio, desde que… desde quando mesmo, Caio? Quando a gente era Jardim de Infância, mais o menos? Caião gente boa, – sempre esse “ão”, parece propaganda da Schin – conheço a uma cara aí! Tão ficando? Namorando? Desencalha não, parceiro?
- A gen…
- Lembra Caião, daquela vez, no passei da escola, lá para aquela fazenda, que você comeu estrume de cavalo e gostou? Ainda curte? [...]
E é daí para pior.
Relembrar história à parte… Fiquei feliz em rever velhos amigos, e conhecer os novos amigos desses velhos amigos. Mas foi aí que existiu meu erro.
Joguei no boné meu nome escrito no papel junto com os outros, sacudiram, sacudiram, e colocaram o boné no centro, cada qual pegou o seu;
“Cris” Foi o nome que tirei.
Fiquei feliz de mais em pegar esse nome. De todos meus amigos que estavam lá, a que eu tinha mais amizade e mais contato era Ana Cristina, quando eu estudei com ela só a chamavam de Cris, apesar de que, hoje, nas redes sociais, ela use Aninha, amiga, te amo!. Ela é uma das amigas mais sacanas, e não é só comigo, com todos. Era minha chance de sacanear legal com ela, me fazer pagar.
Saí do condomínio da minha amiga que nos reuniu e fui direto a um sexy shop de uma colega, escolhi a calcinha mais engraçada; vermelha, fio dental, com direito a um objeto com formato fálico do tamanho de meu dedo midinho, todo molengo, pendurado na frente, e um laço atrás que não tinha mais tamanho!
O dia de trocar os presentes foi quase uma semana depois, no mesmo lugar.
Eu chega suava de tanta vontade de trocar os presentes logo, que frenesi ia me dar quando eu visse a cara dela abrindo o presente na frente de todo mundo. (mwahahahaha)
Fiquei um pouco envergonhada na hora, pensei que era melhor dar depois, tinha outras pessoas que eu não conhecia muito bem e outras que eu estava conhecendo naquele instante, mas como a maioria era de casa mesmo, não demorei para voltar a sonhar com a entrega do presente dela.
Aí é sempre assim; aquela roda, normalmente o mais palhaço começa, e tira a pessoa mais previsível, porque toda hora que ele fala “meu amigo secreto” ele olha para a pessoa.
O Amigo Secreto foi rolando e chegou a vez do menino que tirou meu nome. ¹ Ganhei um chaveiro do Camaleão (Chiclete com Banana), todo colorido. Eu ODEIO Chiclete com Banana.
Eu levantei, com aquele sorrisão na cara, toda sacana, e falei;
“Estou muito feliz em estar aqui, rever os amigos, conhecer os novos amigos dos meus velhos amigos. Muito legal. E o mais legal ainda foi tirar essa pessoa, Cris.”
No meio daquelas palmas, daquela confusão, me levanta um cara que eu tinha ACABADO de conhecer, e ainda me abraça!
- Obrigado!
O nome do cara era Cristiano, e mais ninguém chamava Cris de Cris, só eu. Ou seja, fiz confusão. Não dei o presente, na hora do abraço e pedi desculpas. Até tentei explicar, mas o pessoal disse que não tinha problemas e me mandou entrega o presente. Não entreguei. Aí foi aquele “auê”; tomaram o presente de minha mão, puxaram meu cabelo, me jogaram para os lados…
O menino ficou sem graça, não sabia se aceitava ou não o presente. Nessa hora não vi mais nada, preferi abaixar os olhos.
- Faz assim, eu troco o presente e depois te dou. Eu pensei que Cris era Aninha, é de mulher...
- Não! Nada disso, o Amigo Secreto é hoje!
Quando eu vi que a risada escrota da minha amiga Cris tomou conta do lugar, tive certeza; ele viu o presente.
- Aêêêêê!!! Vai usar hoje de noite, em, Cristiano!
“Tinha que ser essa anã oxigenada“, “deve estar morrendo de vergonha, tentou comediar a amiga, olha no que deu“. Pior é ouvir Cris, minha amiga, até hoje cobrando o presente do menino.
Não sei o que foi pior, ganhar um chaveiro do Camaleão, ou dar um presente super íntimo para uma pessoa que eu nunca tinha visto antes na minha vida. Mas poderia ser pior; imagine se eu desse um CD do Restart?
P.S. ¹ Depois o menino que me deu o chaveiro do Camaleão se desculpou. Ele disse que confundiu Jammil com Chiclete. Como assim?


HUSAHSUAHSUAHSUAHSUAHSUAHSUAHSUAHSUHASA
EURIMUITO!
Essas coisas só acontecem com vc.
huahsuahsuahsuashu
Bjão amiga